Todos os descontos que concede são uma decisão de custo vestida de decisão de preço. São aprovados numa conversa comercial, registados como um ajuste de preço, e depois desaparecem. Ninguém os lança como despesa, ninguém os revê no trimestre seguinte e ninguém pergunta o que compraram. E, no entanto, o desconto é a única alavanca da empresa que reduz aquilo que recebe sem reduzir nada daquilo que faz.

Em resumo

Como se calcula o verdadeiro custo de um desconto?

Retire o desconto ao preço, deixe todos os custos exatamente onde estão e leia o que sobra da margem. Como o desconto retira receita sem retirar trabalho nenhum, o valor inteiro cai sobre a margem. O verdadeiro custo é esse valor, mais as condições concedidas fora da fatura e o custo de servir adicional que o negócio criou, medido contra o volume que o desconto comprou de facto.

Um desconto retira receita e mais nada

Comece pela aritmética que quase toda a gente salta. Um desconto de cinco pontos não lhe custa cinco por cento. Custa-lhe cinco por cento do preço contra uma margem que costuma ser muito menor do que o preço. Se um produto é vendido a 100 com um custo variável de 70, a contribuição é de 30. Conceda cinco pontos e o preço passa a 95, o custo mantém-se em 70 e a contribuição desce para 25. Deu cinco e perdeu um sexto da margem naquela unidade.

A razão é estrutural e não uma questão de política contabilística. O desconto altera a fatura, não altera a fábrica, nem o armazém, nem a fila do apoio ao cliente. A mesma preparação, a mesma entrega, o mesmo tratamento da encomenda e a mesma faturação continuam a acontecer e continuam a custar o mesmo. Por isso o desconto inteiro cai sobre a margem, pelo valor total, em cada unidade que toca.

Parta do preço de bolso, não do preço de tabela

A maioria das empresas mede o desconto contra o preço de tabela, que é o único número da cadeia que ninguém recebe. Entre o preço de tabela e o dinheiro que fica na empresa existe uma série de deduções, e o desconto anunciado é habitualmente a menor delas.

Reconstrua a cadeia dedução a dedução. Preço de tabela, depois o desconto negociado em fatura, depois os rappel de volume, depois o desconto de pronto pagamento, depois o apoio promocional, depois as comparticipações de transporte, depois as devoluções e as notas de crédito. O que sobra é o preço de bolso, e é o único valor que vale a pena comparar com o custo. As empresas que fazem este exercício pela primeira vez descobrem quase sempre que o preço de bolso está vários pontos abaixo daquilo que a equipa comercial julgava estar a cobrar, porque cada dedução foi aprovada por uma pessoa diferente, num momento diferente, por uma razão diferente.

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sítios onde o desconto se esconde: fatura, condições fora da fatura, custo de servir
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custos eliminados por o conceder
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do desconto cai sobre a margem

Que volume tem um desconto de recuperar?

A justificação habitual para um desconto é o volume. Essa afirmação é testável, e o teste cabe numa linha de aritmética. Para manter a contribuição total inalterada, o aumento de volume necessário é igual ao desconto a dividir pela margem de contribuição que sobra depois do desconto.

Voltemos ao exemplo anterior. Margem de contribuição de 30 por cento, desconto de 5 pontos, margem remanescente de 25 pontos. Cinco a dividir por vinte e cinco dá 20 por cento. O cliente tem de comprar mais um quinto de volume só para o deixar exatamente onde estava antes de dar o desconto. Se o desconto for de 10 pontos contra a mesma margem de 30 por cento, o aumento necessário passa a ser de 50 por cento. É por isto que os descontos agressivos quase nunca se pagam a si próprios: o volume de que precisam é maior do que o mercado consegue absorver naquela conta.

Faça esta conta antes da negociação e não depois. Transforma uma discussão sobre generosidade numa pergunta com resposta: esta conta é capaz deste aumento, e da última vez entregou-o?

Os descontos que nunca aparecem na fatura

É fora da fatura que vive a erosão a sério, porque essas condições são concedidas numa conversa diferente da do preço e quase nunca lhe são somadas de volta. Prazos de pagamento alargados são um desconto pago em custo de financiamento. A entrega gratuita é um desconto pago em logística. Um gestor de conta dedicado, embalagem à medida, um nível de serviço mais rápido ou um padrão aceite de pequenas encomendas urgentes são todos descontos pagos em custo de servir.

Nenhum deles aparece quando se audita a lista de preços, e é por isso que a lista de preços continua a parecer saudável enquanto a margem não está. A correção é converter cada cedência em dinheiro e atribuí-la à conta que a recebeu. Assim que o custo de servir fica ao lado do preço de bolso, passa a ver as contas onde um desconto discreto na fatura esconde um desconto total muito maior.

Um desconto não é um ajuste de preço. É uma transferência não financiada da sua margem para o cliente, e repete-se todos os meses até que alguém a trave.

Como tornar o custo visível antes de o conceder

Os descontos raramente falham por causa de um único mau negócio. Falham porque não existe nenhum momento do processo em que o custo da cedência esteja visível para quem a concede. O gestor comercial vê um preço e um objetivo. O custo está noutro sistema, noutro formato, e pertence a outra função.

Três mudanças fecham essa distância. Dê a cada negócio um preço de bolso em vez de um preço de tabela e uma percentagem de desconto. Anexe o custo de servir da conta ao registo do negócio, para que a margem apresentada seja a margem depois do trabalho que a conta realmente gera. E ponha o aumento de volume necessário no ecrã de aprovação, para que a troca que está a ser feita apareça como um número em vez de ser assumida como um benefício. Nada disto limita aquilo que um comercial pode aceitar. Só faz com que o aceite com o preço da cedência à frente dos olhos.

O último passo é a revisão. Reúna os doze meses de descontos já concedidos, agrupe-os por conta e compare o volume prometido com o volume entregue. Os descontos são compromissos recorrentes que ninguém volta a aprovar, e é exatamente por isso que esta revisão encontra dinheiro sempre que é feita.

Veja quanto custam realmente os seus descontos.

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