O UEP e o ABC propõem-se resolver problemas diferentes, e é precisamente por isso que são tantas vezes confundidos. O método UEP (unidade de esforço de produção) mede quanto esforço de produção uma fábrica despende e exprime cada produto numa unidade comum. O activity-based costing (ABC) rastreia os gastos gerais através das atividades que os consomem, até aos produtos e clientes. Um industrializa o chão de fábrica; o outro segue o dinheiro por todo o negócio. Esta página coloca-os lado a lado e mostra quando cada um é a ferramenta certa.
O UEP e o ABC respondem a perguntas diferentes. O UEP transforma uma fábrica multiproduto numa fábrica de produto único, ao medir toda a produção numa só unidade abstrata de esforço, e custeia apenas a transformação, deixando de fora as matérias-primas e os gastos gerais de estrutura. O ABC rastreia todos os gastos gerais, incluindo os custos de apoio e administrativos, até às atividades e depois aos produtos e clientes, através de indutores de custo (cost drivers). Escolha o UEP quando o seu problema é a produtividade do chão de fábrica, a capacidade e a comparação de produção numa fábrica multiproduto. Escolha o ABC quando o seu problema é o custo verdadeiro de servir produtos, clientes ou canais específicos. O UEP é mais simples e mais barato de operar; o ABC é mais abrangente mas mais pesado de manter, razão pela qual o seu sucessor, o TDABC, faz hoje grande parte do antigo trabalho do ABC. ---
A diferença essencial
A forma mais limpa de ver a diferença é perguntar o que cada método está a medir.
UEP
O UEP mede esforço. Constrói uma unidade abstrata, a UEP, que capta quanto trabalho de transformação um produto exige à medida que atravessa os postos operativos da fábrica. O seu grande truque é que esta unidade é estável e independente do dinheiro, pelo que uma fábrica que faça dezenas de produtos diferentes obtém uma medida honesta e comparável de quanto produziu e com que produtividade. Mas o UEP para deliberadamente à porta da fábrica. Custeia apenas a transformação, acrescenta as matérias-primas em separado e ignora por completo os custos de estrutura e de venda.
ABC
O ABC mede o consumo de recursos pelas atividades. Pergunta que atividades o negócio executa (tratar uma encomenda, preparar uma máquina, cobrar um pagamento, servir uma conta exigente), quanto custa cada atividade e quanto de cada atividade um dado produto ou cliente consome. Por essa cadeia, consegue atribuir quase qualquer custo, incluindo os gastos gerais que o UEP deixa de fora, àquilo que efetivamente o causa.
Lado a lado
| Dimensão | UEP | ABC |
|---|---|---|
| Origem | França (método GP de Perrin), desenvolvido no Brasil | Harvard, Kaplan e Cooper, a partir de 1988 |
| O que mede | Esforço de produção, numa só unidade abstrata | Consumo de recursos por atividade |
| Âmbito de custo | Só transformação (materiais e gastos gerais tratados à parte ou excluídos) | Todos os gastos gerais, rastreados até produtos e clientes |
| Melhor decisãoLinha-chave | Produtividade do chão de fábrica, capacidade, mix de produção | Rentabilidade de produto, cliente e canal |
| Unidade de análise | O posto operativo e o produto | A atividade e o objeto de custo |
| Custo de operar | Baixo depois de construído | Alto (inquéritos de atividade, atualizações frequentes) |
| Lida com serviços | Mal | Bem |
| Geografia | Forte no Brasil | Anglo-americana e consultoria global |
Um contraste prático
Tome-se uma fábrica multiproduto ilustrativa, a CaP Manufacturing (valores ilustrativos). O UEP exprimiria toda a sua produção em, digamos, 50 000 UEPs no período, dir-lhe-ia que a linha 2 funcionou a 78% da capacidade e deixá-lo-ia comparar a produtividade deste mês com a do anterior numa única escala. O que o UEP não lhe dirá é que as encomendas pequenas e trabalhosas de um certo distribuidor são silenciosamente deficitárias, uma vez contados o tratamento das encomendas, as verificações de crédito e as devoluções, porque esses são custos de estrutura e de apoio que ficam fora do cálculo da UEP.
O ABC parte do outro extremo. Identificaria o tratamento das encomendas, a verificação de crédito e o processamento de devoluções como atividades, custeá-las-ia e imputá-las-ia àquele distribuidor na proporção do quanto de cada ele consome. O distribuidor que parecia bem numa visão de UEP e margem revela-se destruidor de valor uma vez contado o seu verdadeiro custo de servir. Esse é o terreno natural do ABC, e é precisamente o terreno que o UEP nunca foi construído para cobrir.
Quando escolher cada um
Opte pelo UEP quando gere uma fábrica multiproduto, os seus produtos são fisicamente muito diferentes e as suas perguntas centrais são sobre produção, produtividade, utilização da capacidade e o esforço relativo de diferentes produtos. O UEP dá-lhe uma medida única, estável e barata de operar que as unidades físicas não conseguem dar.
Opte pelo ABC quando a sua pergunta central é a rentabilidade por produto, cliente ou canal, e quando os custos de gastos gerais, de apoio e de venda são suficientemente grandes para que ignorá-los o induza em erro. Se essa é a sua pergunta e o seu ambiente é grande ou de mudança rápida, olhe bem para o TDABC, o sucessor orientado pelo tempo do ABC, que entrega o mesmo conhecimento ao nível do cliente sem o fardo de inquéritos do ABC.
Na prática, os dois não são mutuamente exclusivos. Um fabricante brasileiro pode operar o UEP para o controlo do chão de fábrica e um modelo baseado em atividades ou orientado pelo tempo para a rentabilidade de clientes, e há casos documentados de empresas a operar o UEP e o ABC lado a lado. Os métodos sobrepõem-se o mínimo e complementam-se o máximo quando se deixa cada um fazer o trabalho para que foi concebido.
Perguntas frequentes
O UEP é uma espécie de ABC?
Não. São métodos diferentes com lógicas diferentes. O UEP mede o esforço de produção numa só unidade abstrata e custeia apenas a transformação; o ABC rastreia os gastos gerais até às atividades e depois aos objetos de custo. Podem usar-se em conjunto, mas nenhum é uma versão do outro.
Qual é mais rigoroso, o UEP ou o ABC?
Depende da pergunta. Para comparar a produção e a produtividade de diferentes produtos numa fábrica multiproduto, o UEP é simultaneamente rigoroso e eficiente. Para o custo verdadeiro de servir um cliente ou canal específico, o ABC (ou o TDABC) é muito mais rigoroso, porque conta os custos de gastos gerais e de apoio que o UEP exclui.
Porque é que o UEP é mais comum no Brasil e o ABC mais comum à escala global?
O UEP foi desenvolvido e ensinado nas escolas de engenharia de produção do Brasil e ajusta-se à sua base industrial multiproduto, pelo que se tornou um padrão local. O ABC saiu de Harvard e espalhou-se pelo mundo da consultoria anglo-americana, pelo que se tornou o padrão global para o custeio de gastos gerais e de clientes.
O ABC substitui o UEP?
Não exatamente. O ABC cobre terreno que o UEP nunca reivindicou, os custos de estrutura e de relação com o cliente, mas o UEP continua a ser uma ferramenta forte e barata para a produtividade do chão de fábrica em que o ABC não se especializa. Para a maioria das empresas, a pergunta de sucessão relevante é ABC versus TDABC, dado que o TDABC substituiu em larga medida o ABC clássico na rentabilidade de clientes.
Posso usar o UEP e o ABC em conjunto?
Sim. Um padrão comum é o UEP para o controlo da produção e a medição da produção, mais um modelo baseado em atividades ou orientado pelo tempo para a rentabilidade de clientes e canais. Cada um responde a uma pergunta que o outro não responde.
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