RevPAR: o que mede e o que esconde
Resposta rápida. O RevPAR (revenue per available room) é a receita de alojamento dividida pelo número de quartos disponíveis no período. É a métrica de cabeceira da hotelaria porque junta ocupação e tarifa média num só número. Mas mede exclusivamente a linha de cima: não diz nada sobre o que custou encher cada quarto. Um hotel pode subir o RevPAR e descer a margem no mesmo mês, e é exatamente esse caso que esta página demonstra com números.
O RevPAR responde à pergunta "quanto rendeu cada quarto que eu tinha para vender?". É uma boa pergunta, e a resposta é útil.
O problema é a pergunta que ninguém faz a seguir: quanto custou esse rendimento? A resposta muda consoante o canal, o segmento e a duração da estadia, e nenhuma dessas três coisas aparece no RevPAR.
O que é o RevPAR e como se calcula?
RevPAR é a abreviatura de revenue per available room, receita por quarto disponível. Calcula-se de duas formas equivalentes:
RevPAR = receita de alojamento ÷ quartos disponíveis no período. Um hotel de 120 quartos num mês de 30 dias tem 3.600 noites-quarto disponíveis; se a receita de alojamento foi de 269.280 euros, o RevPAR é de 74,80 euros.
RevPAR = taxa de ocupação × ADR. A mesma conta pela outra ponta: a taxa de ocupação hoteleira (noites vendidas a dividir por noites disponíveis) multiplicada pela tarifa média diária (ADR, average daily rate). Ocupação de 68% com ADR de 110 euros dá os mesmos 74,80 euros.
É esta segunda forma que explica a popularidade da métrica: obriga ocupação e preço a prestar contas juntos. Encher a casa a desbaratar tarifa não sobe o RevPAR; segurar a tarifa com o hotel vazio também não. Nesse papel, o de árbitro entre ocupação e preço, o RevPAR funciona bem e deve continuar a ser usado.
O que é que o RevPAR não vê?
O RevPAR mede receita. Tudo o que está do lado do custo fica fora do número, e é do lado do custo que a rentabilidade de um hotel se decide. Três omissões pesam mais do que as outras:
O canal. O hóspede que reservou diretamente e o que chegou por uma OTA com 18% de comissão pagam a mesma tarifa e contam o mesmo para o RevPAR. Para a margem, são hóspedes diferentes.
O segmento. Um grupo que exige alterações, faturação à medida e meia recepção ocupada custa mais a servir do que o viajante individual que faz check-in e desaparece. O RevPAR trata os dois por igual.
A duração da estadia. Cada mudança de hóspede dispara uma rotação: limpeza de saída, lavandaria, check-in e check-out. Duas estadias de duas noites custam mais do que uma de quatro, com a mesma receita. O RevPAR não distingue uma coisa da outra.
É por isto que a rentabilidade de um hotel é decidida pelo custo de servir por canal, por segmento e por hóspede, um tema que tratamos em profundidade na página de rentabilidade em hotelaria e turismo.
RevPAR a subir, margem a descer
O mesmo hotel de 120 quartos, dois meses, números ilustrativos. No mês B, uma campanha agressiva nas OTAs sobe a ocupação de 68% para 78% à custa de um ADR ligeiramente mais baixo, de mais peso do canal com comissão e de estadias mais curtas.
| Mês A | Mês B (campanha OTA) | |
|---|---|---|
| Ocupação | 68% (2.448 noites) | 78% (2.808 noites) |
| ADR | 110 € | 104 € |
| Receita de alojamento | 269.280 € | 292.032 € |
| RevPAR | 74,80 € | 81,12 € (+8,5%) |
| Peso do canal OTA (comissão de 18%) | 40% das noites | 65% das noites |
| Comissões pagas | 19.388 € | 34.168 € |
| Estadia média | 2,4 noites (1.020 rotações) | 1,8 noites (1.560 rotações) |
| Custo de rotação (26 € por saída) | 26.520 € | 40.560 € |
| Custo por noite ocupada (11 €) | 26.928 € | 30.888 € |
| Contribuição do alojamento | 196.444 € (73,0%) | 186.416 € (63,8%) |
O RevPAR subiu 8,5% e a contribuição do alojamento desceu 10.028 euros, mais de cinco pontos de margem. Nenhum destes custos é exótico: comissões, rotações e limpeza estão em qualquer hotel. Só não estão no RevPAR.
Quem gere pelo RevPAR otimiza a receita por quarto. Quem gere pela margem precisa de saber o custo de cada quarto vendido, e esse número a métrica não dá.
CostPAR: o custo por quarto disponível
Se a receita por quarto disponível merece uma sigla, o custo por quarto disponível também merece. Chame-lhe CostPAR: os custos operacionais do alojamento divididos pelas mesmas noites-quarto disponíveis que o RevPAR usa.
No mês B do exemplo, só os custos variáveis (comissões, rotações e limpeza) somam 105.616 euros, ou seja 29,34 euros por quarto disponível. O RevPAR de 81,12 euros só ganha significado ao lado desse número, e de mais um: o custo da capacidade, porque um quarto vazio continua a custar dinheiro em pessoal, energia e manutenção, quer venda quer não. Esse segundo bloco é o tema do custo da capacidade não utilizada e da página de capacidade e ocupação na hotelaria.
A diferença entre o RevPAR e o CostPAR, quarto a quarto, segmento a segmento, é a margem verdadeira. A indústria tem variantes na mesma direção, como o GOPPAR (resultado operacional bruto por quarto disponível), que já desconta custos mas continua a ser uma média da casa inteira: diz que a margem mudou, não diz onde nem porquê.
Do RevPAR à rentabilidade por canal e segmento
Passar do RevPAR à margem não exige abandonar a métrica; exige juntar-lhe um modelo de custo de servir. Com TDABC, cada atividade do hotel (rotação de quarto, check-in, resposta a pedidos de grupo, gestão de canal) recebe um tempo e uma taxa de custo da capacidade, e cada estadia carrega os custos das atividades que realmente consumiu.
O resultado é o RevPAR aberto por baixo: margem por canal, por segmento e por tipo de estadia, com o custo da capacidade vazia numa linha própria em vez de diluído nas tarifas. É com esse quadro que decisões de mix de canais, alotamentos e campanhas deixam de ser apostas de receita e passam a ser decisões de margem.
É este o modelo que construímos com hotéis e grupos de turismo: um modelo operacional de custo e rentabilidade, montado sobre os dados financeiros existentes, em seis a dez semanas. A plataforma CostCtrl mantém-no depois actualizado mês a mês.
Perguntas frequentes.
- O que é o RevPAR?
- RevPAR é a receita por quarto disponível: a receita de alojamento de um período dividida pelo número de noites-quarto que o hotel tinha para vender nesse período. Combina ocupação e tarifa média num único indicador de desempenho de receita.
- Como se calcula o RevPAR?
- De duas formas equivalentes: receita de alojamento a dividir por quartos disponíveis, ou taxa de ocupação a multiplicar pela tarifa média diária (ADR). Um hotel com 68% de ocupação e ADR de 110 euros tem um RevPAR de 74,80 euros.
- Qual é a diferença entre RevPAR, ADR e taxa de ocupação?
- A taxa de ocupação hoteleira mede quantos quartos se venderam; o ADR mede a que preço; o RevPAR é o produto dos dois e mede quanto rendeu cada quarto disponível. Subir um à custa do outro pode deixar o RevPAR na mesma, e é para arbitrar esse conflito que a métrica existe.
- Um RevPAR alto significa um hotel rentável?
- Não necessariamente. O RevPAR mede receita e ignora comissões de canal, custo de rotação, custo de servir cada segmento e custo da capacidade vazia. Um mix carregado de canais de alta comissão e estadias curtas pode subir o RevPAR e descer a margem, como mostra o exemplo desta página.
- O que é o custo por quarto disponível?
- É o espelho do RevPAR do lado do custo, por vezes procurado como CostPAR: os custos operacionais do alojamento divididos pelos quartos disponíveis do período. Comparado com o RevPAR, mostra a margem por quarto; aberto por canal e segmento com um modelo de custo de servir, mostra onde essa margem se ganha e se perde.
Para ir à fonte.
A definição operacional de RevPAR e das métricas vizinhas (ADR, ocupação, GOPPAR, TRevPAR) segue o glossário da STR, a casa dos benchmarks hoteleiros, e o USALI (Uniform System of Accounts for the Lodging Industry), o plano de contas uniforme do sector, que organiza os custos departamentais que o CostPAR agrega. A mecânica de custeio por atividades e tempo é a de Kaplan e Anderson, Time-Driven Activity-Based Costing (Harvard Business School Press, 2007), apresentada em detalhe no nosso perfil do TDABC.
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Prova
Um distribuidor na Nova Zelândia. €1,335M de custo de servir tornado visível, depois reduzido a metade, e 830 clientes deficitários reduzidos a 295.
Ler o estudo de caso →Com quem vai falar
Miguel Guimarães, Sócio-fundador
A trabalhar em custos e rentabilidade há mais de 25 anos. Apresentou o caso de cost-to-serve da Damco no Managing for Profit (Amesterdão RAI, dezembro de 2009), no mesmo programa que Robert S. Kaplan.
Ligue +351 910 313 731