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Gestão Baseada em Atividades (ABM)

A gestão baseada em atividades (Activity-Based Management, ABM) é o uso das informações de atividades e direcionadores de custo produzidas pelo custeio baseado em atividades (ABC) para conduzir melhor o negócio. Onde o ABC responde "quanto este produto, pedido ou cliente realmente custa, e por quê", a ABM faz a pergunta seguinte: "e o que devemos fazer a respeito". Ela classifica atividades como agregadoras ou não agregadoras de valor, quantifica o custo da complexidade e do retrabalho e direciona os gestores para as mudanças que movem o número.

Em resumo

A gestão baseada em atividades (Activity-Based Management, ABM) transforma os dados do custeio baseado em atividades (ABC) em mudança gerenciada. Classifica atividades como agregadoras ou não agregadoras de valor, custeia a complexidade e corrige preços que não cobrem o custo de servir. Divide-se em ABM operacional ("fazer certo as coisas") e ABM estratégica ("fazer as coisas certas"). Vale apenas o que valem os dados de ABC por baixo e as decisões que os gestores tomam.

A ideia central

De custear o trabalho a gerir o trabalho

ABC e ABM são duas pontas da mesma ferramenta. O ABC é a visão: rastreia o custo dos recursos até as atividades e depois até os produtos, pedidos e clientes que as disparam, usando direcionadores de custo em vez de taxas de custo indireto por volume. A ABM é o uso dessa visão. Robert Kaplan e Robin Cooper, que mais fizeram para formalizar ambos, traçaram a linha com clareza: o modelo contábil existe para mudar o comportamento gerencial, não para produzir um relatório mais elaborado sobre o qual ninguém age.

A mudança que a ABM pede a um gestor é sutil, mas decisiva. Um relatório de custo convencional mostra o que foi gasto por departamento: salários, aluguel, depreciação. Uma visão por atividade mostra no que o dinheiro foi gasto fazendo: processar pedidos, preparar máquinas, resolver reclamações, cobrar pagamentos atrasados. Uma vez que o custo é expresso como o custo das atividades, duas perguntas se tornam respondíveis, o que um orçamento por departamento não consegue: esta atividade agrega valor pelo qual o cliente pagaria, e o que está direcionando seu volume? Essas duas perguntas são toda a ABM.

A mecânica

Valor agregado, não agregado e o custo da complexidade

  • Classificar as atividades. Cada atividade é separada em agregadora de valor (muda o produto ou serviço de um modo que o cliente valoriza: montar, usinar, assessorar) ou não agregadora de valor (consome recurso sem agregar valor ao cliente: inspecionar, retrabalhar, esperar, movimentar, apressar, reconciliar erros). O trabalho não agregador raramente é zero e nem sempre pode ser removido, mas nomeá-lo é o que o torna um alvo, e não um fato imutável da vida.
  • Achar o custo da complexidade. Boa parte do custo indireto é direcionada não pelo volume, mas pela variedade: mais produtos, mais variantes, mais fornecedores, pedidos menores, condições especiais. O ABC expõe isso ao anexar custo de setup, de pedido e de manuseio aos lotes e pedidos que o causam. A ABM então age: racionaliza o portfólio, eleva quantidades mínimas de pedido ou precifica pedidos pequenos e especiais para refletir quanto de fato custam para servir.
  • Redesenhar e reprecificar. Com as atividades custeadas, a melhoria de processos deixa de ser adivinhação. Os gestores atacam primeiro as atividades não agregadoras mais caras, redesenham o fluxo em torno dos verdadeiros direcionadores e realimentam o custo de servir corrigido na política de preço e desconto, para que o preço finalmente acompanhe o custo.
Um exemplo

Cortando o custo do hábito de pedidos pequenos

Um distribuidor processa 40.000 pedidos de clientes por ano. O ABC rastreou a atividade de processamento de pedidos, entrada, separação, embalagem, faturamento e resolução de dúvidas, a uma taxa de R$ 18 por pedido (números ilustrativos, não dados de cliente). Desses R$ 18, a análise julga cerca de R$ 7 como não agregadores de valor: redigitação manual, perseguição de detalhes incompletos de pedido e correção de erros de separação.

Isso dá 40.000 x R$ 7 = R$ 280.000 por ano de atividade que o cliente não pagaria conscientemente. A ABM operacional mira os R$ 7: um portal de autoatendimento e validação na entrada devem remover cerca de 60% disso, ou aproximadamente R$ 168.000, sem tocar no quadro de pessoal que faz trabalho agregador de valor. A ABM estratégica olha o outro lado dos mesmos dados. Descobre que 12.000 dos pedidos têm valor abaixo de R$ 150, e cada um ainda absorve os R$ 18 inteiros para servir, ou seja, esses pedidos pequenos custam 12.000 x R$ 18 = R$ 216.000 para atender contra uma contribuição magra. A resposta não é demitir os clientes, mas mudar a economia: um mínimo de pedido, um incentivo à consolidação ou uma taxa modesta de manuseio. Os mesmos números de ABC, duas alavancas de gestão diferentes, uma de eficiência, outra de mix.

Duas altitudes

ABM operacional versus ABM estratégica

ABM operacional - "fazer certo as coisas"ABM estratégica - "fazer as coisas certas"
ObjetivoRealizar as atividades existentes de forma mais eficiente, a custo menor e qualidade maiorMudar quais atividades, produtos e clientes o negócio decide ter
AlavancasEliminar trabalho não agregador, reduzir retrabalho, redesenhar processos, elevar a produtividade do mesmo recursoReprecificar, remixar o portfólio, redirecionar o esforço de vendas, redesenhar produtos para consumir menos atividade, cortar linhas ou clientes não lucrativos
PosturaToma a demanda por atividades como dada e reduz o custo de atendê-laMuda a própria demanda por atividades, alterando o portfólio e o preço que o molda
HorizonteContínuo, de curto prazo, incrementalPeriódico, estrutural, ligado à estratégia e ao planejamento

As duas funcionam melhor juntas. A ABM operacional reduz o custo de cada atividade; a ABM estratégica garante que o negócio esteja fazendo, em primeiro lugar, as atividades que valem a pena. Um programa que só persegue eficiência vai otimizar trabalho que não deveria existir, e um programa que só remixa sem corrigir processos vai remixar em torno de custos inflados.

Forças e limites

Quando a ABM se paga

Forças. A ABM converte um exercício de custeio em mudança gerenciada. Dá ao trabalho de melhoria uma etiqueta de preço, para que o esforço vá onde está o dinheiro; torna o custo da complexidade visível e, portanto, negociável; e alinha o preço ao custo real de servir em vez de uma taxa média de custo indireto. Porque fala em atividades, processamento de pedidos, setups, tratamento de reclamações, é legível para gestores de operações, não apenas contadores, o que é o que faz as decisões acontecerem.

Limites. A ABM herda toda fraqueza do modelo de ABC por baixo: se os direcionadores forem grosseiros ou o dicionário de atividades estiver desatualizado, as conclusões também serão. O ABC tradicional pode ser pesado de construir e manter, razão pela qual muitas organizações migram para o custeio baseado em atividades e orientado pelo tempo (TDABC), um modelo mais leve e baseado em capacidade que se atualiza com mais facilidade. E a ABM é apenas análise até alguém agir: os rótulos de valor agregado e os números de complexidade nada mudam por si sós. Essa é a ponte para o restante da enciclopédia: os mesmos dados de atividade e direcionador alimentam o custo de servir, as visões de rentabilidade de cliente e produto, a curva da baleia que ordena quem e o que de fato dá dinheiro, e o modelo de custeio por tempo que mantém tudo isso atual.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes sobre a Gestão Baseada em Atividades

Qual é a diferença entre ABC e ABM?
O custeio baseado em atividades (ABC) é o modelo de mensuração: rastreia o custo até as atividades e depois até produtos, pedidos e clientes por meio de direcionadores de custo. A gestão baseada em atividades (ABM) é o uso dessa informação para tomar decisões: melhorar processos, reprecificar, reduzir complexidade e remodelar o mix de produtos e clientes. O ABC produz os números; a ABM age sobre eles.
Qual é a diferença entre ABM operacional e estratégica?
A ABM operacional ("fazer certo as coisas") torna as atividades existentes mais eficientes, eliminando trabalho não agregador, cortando retrabalho e redesenhando processos para baixar o custo do trabalho que já se faz. A ABM estratégica ("fazer as coisas certas") muda o próprio mix, reprecificando, racionalizando o portfólio e direcionando para produtos e clientes lucrativos. Uma baixa o custo do trabalho; a outra muda qual trabalho existe.
O que é uma atividade não agregadora de valor?
Uma atividade que consome recursos sem agregar valor pelo qual o cliente pagaria: inspeção, retrabalho, espera, movimentação de material, apressamento e correção de erros. A ABM identifica e quantifica essas atividades para que possam ser reduzidas ou removidas. Parte do trabalho não agregador é inevitável, mas nomeá-lo e custeá-lo o transforma de custo indireto fixo em alvo de melhoria.
Como a ABM reduz o custo da complexidade?
A complexidade, mais variantes, pedidos menores, condições especiais, direciona custo indireto que o custeio por volume esconde. O ABC anexa custo de setup, de pedido e de manuseio aos lotes e pedidos que o causam, e a ABM então age: racionaliza portfólios, define tamanhos mínimos de pedido e precifica pedidos pequenos ou especiais para refletir seu custo real de servir. O resultado são menos transações deficitárias, e não cortes lineares.
Quem desenvolveu a Gestão Baseada em Atividades?
A ABM nasceu do trabalho de custeio baseado em atividades de Robert S. Kaplan e Robin Cooper em Harvard no fim dos anos 1980, mais tarde estendido por Kaplan e Steven Anderson para o TDABC. A ideia central que estabeleceram é que um modelo de custo existe para mudar a ação gerencial, e não apenas para reportar, que é exatamente o que a ABM operacionaliza.
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