Ir para o conteúdo
Método

Dois números por processo. É esse o truque inteiro do TDABC.

Modelos de custo tradicionais costumam ser pesados, lentos e já estão desatualizados quando ficam prontos. O custeio TDABC resolve isso com uma ideia simples: descobrir quanto custa um minuto da sua operação e quanto tempo cada atividade consome. Com apenas dois parâmetros, ele entrega custos realistas de produtos, clientes e processos, e ainda revela, em dinheiro, quanto da sua capacidade está ociosa. É o método de Kaplan e Anderson, e cabe numa página.

Cost and Profitability Consulting · 150+ modelos desde 2010 · TDABC

Em resumo

TDABC (Time-Driven Activity-Based Costing) é um método de custeio criado por Robert Kaplan e Steven Anderson em 2004. Ele usa dois parâmetros: a taxa de custo da capacidade, que é quanto custa um minuto de um recurso, e as equações de tempo, que estimam quantos minutos cada atividade consome. Importa porque é rápido de construir, fácil de atualizar e revela a capacidade ociosa que outros métodos escondem. O custo de qualquer pedido, cliente ou produto é o tempo que ele consome multiplicado pela taxa por minuto, e a diferença entre a capacidade fornecida e a usada aparece como uma linha própria em vez de inflar silenciosamente o custo de cada transação.

01A origem do TDABC
Time equals a base time plus the sum of each driver multiplied by its unit time, all priced at the capacity cost rate. Illustrative example beneath. tempo = base + Σ ( direcionador × tempo unitário ) 26 min por pedido + 12 × complexidade linhas, conferências + 26 × urgente tratamento urgente + suporte minutos medidos × taxa de custo da capacidade (€/min) o custo segue o comportamento, não o tamanho ilustrativo Time equals a base time plus the sum of each driver multiplied by its unit time, all priced at the capacity cost rate. Illustrative. tempo = base + Σ ( direcionador × tempo unitário ) 26 min por pedido + 12 × complexidade linhas, conferências + 26 × urgente tratamento urgente + suporte minutos medidos × taxa de custo da capacidade (€/min) o custo segue o comportamento, não o tamanho ilustrativo
Uma equação por atividade, ao custo da capacidade prática.

Nasceu para consertar o que tornava o ABC pesado demais para durar.

O TDABC foi proposto por Robert Kaplan e Steven Anderson em 2004 como uma evolução do custeio ABC tradicional. O ABC, desenvolvido por Kaplan e Cooper no final dos anos 1980, era poderoso, mas trabalhoso: exigia pesquisas frequentes com a equipe para descobrir como o tempo era dividido entre atividades, mantinha centenas de centros de atividade e era atualizado à mão.

Muitos modelos ABC envelheciam e eram abandonados justamente por esse peso. O TDABC simplificou o método ao medir diretamente o tempo das atividades, eliminando a necessidade de pesquisas constantes, e ao trazer a capacidade para dentro do cálculo. Manteve a precisão que fazia o ABC valer a pena e removeu o custo de manutenção que o matava.

02Os dois parâmetros

Toda a lógica se apoia em apenas dois números.

Antes de qualquer tabela, vale fixar a ideia central. O custo de tudo o que a operação faz sai de dois parâmetros, e nada mais.

01

A taxa de custo da capacidade

Quanto custa uma unidade de capacidade, normalmente um minuto. Pegue o custo total de um setor ou recurso e divida pela capacidade prática disponível, o tempo que a equipe ou o equipamento realmente consegue trabalhar. O resultado é o custo por minuto.

02

As equações de tempo

Fórmulas que estimam quanto tempo cada atividade consome. Processar um pedido leva 12 a 15 minutos, mais 2 por linha de item, mais 10 se for urgente. Elas capturam a variação real entre transações simples e complexas, sem questionário.

Multiplicando o tempo estimado pela equação pela taxa de custo da capacidade, você obtém o custo de qualquer atividade, pedido, cliente ou produto. O custo passa a seguir o comportamento da transação, não o seu tamanho em faturamento. Uma equação por atividade, ao custo da capacidade prática.

Veja a equação aplicada a um cliente. Na distribuidora ilustrativa CaP, o setor de atendimento e logística custa R$ 600.000 por ano e tem capacidade prática de 80.000 minutos úteis, o que dá uma taxa de R$ 7,50 por minuto. A equação de tempo para processar o trabalho é: 6 minutos por pedido, mais 3 minutos por entrega urgente, mais 12 minutos por devolução.

Taxa de custo da capacidade = 600.000 / 80.000 = R$ 7,50 / min

Cliente: 200 pedidos, 50 urgentes, 20 devoluções
Tempo = (200 x 6) + (50 x 3) + (20 x 12) = 1.590 min
Custo para servir = 1.590 x 7,50 = R$ 11.925

Esse número alimenta diretamente o cálculo da lucratividade desse cliente e ajuda a explicar por que parte dos clientes cai na cauda que destrói o lucro. Sem uma pesquisa, sem um rateio: o comportamento do cliente, em minutos, vezes a taxa. Valores ilustrativos.

03A taxa de custo da capacidade em números

Um número, uma divisão, e tudo o que vem depois é multiplicação.

Vale a pena percorrer o exemplo canônico de Kaplan e Anderson do início ao fim, porque toda a mecânica do custeio TDABC cabe numa página. Considere um departamento de atendimento ao cliente cujo grupo de recursos custa R$ 3.360.000 por ano. A capacidade teórica seria o total de minutos pagos; a capacidade prática, depois de descontar pausas, reuniões e treinamento, fica em cerca de 85 por cento disso, ou 700.000 minutos por ano.

Custo do grupo de recursos                 = R$ 3.360.000 / ano
Capacidade prática (cerca de 85% da teórica) = 700.000 min / ano

Taxa de custo da capacidade = 3.360.000 / 700.000 = R$ 4,80 / min

Cada minuto de capacidade desse departamento custa R$ 4,80. Tudo o que vem a seguir é multiplicação. Valores ilustrativos, escolhidos para mostrar a mecânica, não referências de mercado.

04Custeando o trabalho realmente executado

Tempo vezes volume vezes taxa, linha a linha.

O departamento executa três tipos de transação, cada um com a sua equação de tempo: processar um pedido leva 8 minutos, tratar uma reclamação leva 44 e uma verificação de crédito leva 50. Multiplique o tempo pelo volume anual e pela taxa de R$ 4,80 por minuto, e o custo de cada linha de trabalho aparece. Valores ilustrativos.

Tipo de transaçãoTempo (min)Volume anualMinutos totaisCusto a R$ 4,80/min
Processar um pedido849.000392.000R$ 1.881.600
Tratar uma reclamação443.100136.400R$ 654.720
Verificação de crédito502.049102.450R$ 491.760
Trabalho executado630.850R$ 3.028.080

Repare no que o modelo atribuiu: 630.850 minutos de trabalho, custeados em R$ 3.028.080. Nenhuma pesquisa de percentuais, nenhum rateio por faturamento. Tempo vezes volume vezes taxa, com dados que o ERP já registra. Valores ilustrativos.

05Capacidade ociosa, tornada visível

O que sobra não desaparece no custo dos pedidos: ganha uma linha própria.

O departamento fornece 700.000 minutos de capacidade prática, mas o trabalho executado consumiu apenas 630.850. A diferença não é diluída no custo de cada pedido; aparece explicitamente.

Parâmetro (ilustrativo)Valor
Capacidade prática700.000 min
Minutos usados (trabalho executado)630.850 min
Capacidade ociosa69.150 min
Custo da capacidade ociosa69.150 × R$ 4,80 = R$ 331.920

São R$ 331.920, cerca de 9,9 por cento do grupo, que num modelo tradicional estariam diluídos no custo de cada pedido. E a reconciliação fecha exatamente nas duas pontas: 630.850 minutos usados mais 69.150 ociosos somam os 700.000 fornecidos, e R$ 3.028.080 de trabalho executado mais R$ 331.920 de capacidade ociosa somam os R$ 3.360.000 do razão. Quando minutos vezes taxa não volta ao razão, o modelo está avisando que a capacidade ou os coeficientes precisam de atenção. Valores ilustrativos.

06Modelo construído em dias, não meses

Aproximadamente certo e mantido vivo bate exatamente certo e abandonado.

Uma das maiores vantagens do TDABC é a velocidade. Como depende de poucos parâmetros, um modelo costuma ser construído em dias ou semanas, e não nos meses que um projeto de ABC tradicional exigia. Atualizá-lo também é simples: se o custo da equipe muda ou um processo fica mais rápido, basta ajustar a taxa de custo da capacidade ou a equação de tempo correspondente, sem refazer pesquisas.

Essa leveza é o que mantém o modelo honesto ao longo do tempo. Um modelo que se atualiza com a edição de um coeficiente acompanha a operação real; um modelo que exige um novo projeto a cada mudança é abandonado e envelhece. A precisão de um custeio não está só na primeira montagem, está na facilidade de mantê-lo colado à realidade trimestre após trimestre.

07Um exemplo por indústria: uma unidade de imagem na saúde

Do custo do recurso ao custo por exame, com a ociosidade à mostra.

A saúde é o terreno onde o TDABC ganhou fama, porque o custo por paciente depende do tempo de recursos caros e compartilhados. Veja uma unidade de imagem, com valores ilustrativos. O grupo de recursos, o equipamento de ressonância, os técnicos e o espaço, custa R$ 5.400.000 por ano, com capacidade prática de 300.000 minutos úteis. A taxa de custo da capacidade fica em R$ 18,00 por minuto.

Parâmetro (ilustrativo)Valor
Custo do grupo de recursos (equipamento + técnicos + espaço)R$ 5.400.000/ano
Capacidade prática300.000 minutos/ano
Taxa de custo da capacidade5.400.000 / 300.000 = R$ 18,00/minuto
Exames padrão: 6.000 × 30 min180.000 min = R$ 3.240.000
Exames com contraste: 1.800 × 45 min81.000 min = R$ 1.458.000
Trabalho executado261.000 min = R$ 4.698.000
Capacidade não utilizada300.000 − 261.000 = 39.000 min
Custo da capacidade ociosa39.000 × R$ 18,00 = R$ 702.000 (13% do grupo)

A conciliação fecha: 3.240.000 mais 1.458.000 mais 702.000 somam os R$ 5.400.000, e 180.000 mais 81.000 mais 39.000 somam os 300.000 minutos. O custo por exame padrão é R$ 540 (30 min × R$ 18,00), o exame com contraste é R$ 810 (45 min × R$ 18,00), e os R$ 702.000 de ociosidade aparecem separados, à vista da gestão. Esse é exatamente o número que decide se um terceiro turno se justifica, se vale a pena captar mais volume de exames eletivos, ou se a agenda precisa ser reorganizada antes de comprar um segundo equipamento. Valores ilustrativos.

O ângulo da IA

A IA não substitui o modelo. Ela alimenta as equações de tempo.

O TDABC sempre dependeu de boas estimativas de tempo e de volume, e é aí que a IA muda o jogo. Registros de sistema, logs de operação e dados de transação que antes eram trabalhosos de tratar agora podem alimentar as equações de tempo com muito mais granularidade, e um agente pode manter os coeficientes atualizados à medida que os processos mudam. Ao mesmo tempo, quando a automação absorve trabalho que uma pessoa fazia, a capacidade liberada aparece no modelo como capacidade ociosa com custo associado, pronta para ser realocada, reaproveitada ou removida. Quem já custeia pela capacidade prática consegue ver, em dinheiro, exatamente quanto a automação liberou. A IA acelera e afina o TDABC; ela não dispensa a disciplina de reconciliar minutos vezes taxa com o razão.

08Forças e limites do custeio TDABC

Nenhum método é neutro. Eis o balanço honesto.

Cada método de custeio facilita certas decisões e cobra um preço em dados e disciplina. O TDABC não é exceção, e vale conhecer os dois lados antes de adotá-lo.

As forças. É rápido de erguer: dois parâmetros por grupo de recursos significam um modelo funcional em semanas, não nos meses de um projeto ABC clássico. Expõe a capacidade ociosa como linha própria, em vez de inflar silenciosamente o custo de cada transação. É fácil de atualizar, porque mudar o custo da equipe ou o tempo de um processo é editar um coeficiente, sem refazer pesquisas. E escala para muitos objetos de custo: milhares de clientes, pedidos e SKUs passam pelo mesmo conjunto de equações, alimentadas pelos dados que o ERP já captura.

Os limites. Exige dados limpos de tempo e volume, porque estimativas fracas ou volumes incompletos se propagam direto para os custos, e a validação contra o razão não é opcional. As equações de tempo pedem manutenção, já que processos mudam e uma revisão leve anual mantém o modelo honesto. E o TDABC não é bala de prata para processos ruins: ele mede com precisão o custo do processo que existe, mas consertar um fluxo ineficiente continua sendo trabalho de gestão, não de custeio.

09Onde o TDABC entra em ação

Um mesmo motor por baixo de várias decisões de gestão.

O custeio TDABC raramente é um fim em si. Ele é o motor técnico que sustenta as análises que realmente movem a margem, e é por isso que aparece por baixo de tantos temas diferentes.

Custo para servir e lucratividade de clientes. Ao custear o tempo que cada cliente consome, o TDABC alimenta a curva da baleia e mostra os dois em cada dez clientes que costumam destruir lucro. Custeio de capacidade. Como calcula pela capacidade prática, expõe o custo da capacidade ociosa em dinheiro em vez de diluí-lo. Precificação baseada em custos reais. Um preço só protege a margem quando o custo por dentro é verdadeiro, e o TDABC é o que torna o custo de servir verdadeiro. Custo por paciente na saúde e custo por pedido na logística. Onde recursos caros são compartilhados por muitos casos, o tempo é o direcionador certo, e o TDABC o transforma em custo unitário defensável.

Perguntas frequentes

O que é custeio TDABC?
É o Time-Driven Activity-Based Costing, um método que calcula custos com base em dois parâmetros: a taxa de custo da capacidade, que é o custo por minuto de um recurso, e as equações de tempo por atividade. Foi criado por Kaplan e Anderson em 2004.
Qual a diferença entre TDABC e custeio tradicional?
O custeio tradicional rateia despesas por percentuais e volumes médios. O TDABC mede o tempo real das atividades, atribuindo custos conforme o que cada transação consome, e ainda mostra a capacidade ociosa em separado em vez de escondê-la no custo dos pedidos.
Quanto tempo leva para construir um modelo TDABC?
Como depende de poucos parâmetros, um modelo costuma ficar pronto em dias ou semanas, bem mais rápido que o ABC clássico, que podia levar meses. Atualizá-lo é editar um coeficiente, não refazer o projeto.
O que é a taxa de custo da capacidade?
É quanto custa uma unidade de capacidade, geralmente um minuto. Calcula-se dividindo o custo total de um recurso pela sua capacidade prática disponível, normalmente cerca de 80 a 85 por cento da capacidade teórica.
O que é uma equação de tempo?
É uma fórmula que estima quanto tempo uma atividade leva conforme as suas características. Por exemplo, o tempo base de processar um pedido mais minutos adicionais se for urgente ou se exigir tratamento especial.
Para que serve o TDABC na minha empresa?
Serve para calcular o custo real de produtos, clientes e processos, medir o custo para servir, identificar clientes não lucrativos e quantificar a capacidade ociosa em dinheiro para decidir sobre ela.
Comece aqui

Veja onde a margem se esconde na sua operação.

O diagnóstico de rentabilidade leva poucos minutos e não exige carregar dados. Mostra onde o custeio por tempo tem mais a revelar no seu negócio, e por onde começar. Ou fale com a gente para o diagnóstico completo e a construção do modelo.

Duração
12 a 15 minutos
Você recebe
Pontuação, 7 dimensões, referência do setor
Preço
Grátis, sem e-mail

Prova

Um distribuidor na Nova Zelândia. €1,335M de custo de servir tornado visível, depois reduzido à metade, e 830 clientes deficitários reduzidos a 295.

Ler o estudo de caso →

Com quem você vai falar

Miguel Guimarães, Sócio-fundador

Trabalhando com custos e lucro há mais de 25 anos. Apresentou o caso de cost-to-serve da Damco no Managing for Profit (Amsterdã RAI, dezembro de 2009), no mesmo programa que Robert S. Kaplan.

Ligue +351 910 313 731

Workshops

Do custo ao lucro, em dois turnos.

Workshop online para o mercado brasileiro. TDABC, CostCtrl e IA, com um modelo que sai pronto.

Reservar vaga
Miguel Guimarães

Revisto por

Miguel Guimarães

Sócio-fundador, Cost and Profitability Consulting

Mais de 150 projetos de Time-Driven ABC em 11 setores desde 2010, dentro do enquadramento de Kaplan e Anderson.

Sobre o autor →

Publicado

M
Pergunte-nos o que quiser
costuma responder em minutos
Olá. Respondo aqui mesmo às perguntas rápidas sobre custo, método e prazos. Para algo específico do seu negócio, passo-o a um especialista no WhatsApp.
Grátis. Sem voltas de robô. Direto a um especialista.
Mais lidos
  1. 1A Curva da Baleia: onde ganha e perde lucro
  2. 2O Custo da Capacidade Ociosa
  3. 3Workshops e treinamentos TDABC - sessões públicas ou in-company
  4. 4Rentabilidade para Private Equity
  5. 5Custo para servir no varejo | Loja e canal
  6. 6Alternativa ao Acorn
  7. 7Custo para Servir: o custo escondido de cada cliente
  8. 8Lucratividade de Clientes: quem da lucro de verdade
  9. 9Custeio TDABC: o que é e por que importa
  10. 10Inteligência de custos e rentabilidade