Rentabilidade e margem
Rentabilidade e margem
Custos diretos
Custos atribuíveis a um produto ou serviço sem necessidade de alocação: matéria-prima, mercadoria revendida, comissão sobre a venda. São a parte fácil do custeio. A briga inteira é sobre o resto.
Custos indiretos (overhead)
Todos os custos que não se ligam diretamente a uma unidade de produto: supervisão, logística, comercial, administrativo, TI. Nas empresas modernas costumam ser a fatia dominante e crescente do custo total. Como são alocados, por rateio ou por direcionadores causais, é o que decide se o seu custo unitário informa ou engana.
Margem de contribuição
Receita menos custos e despesas variáveis: o quanto cada venda contribui para cobrir os custos fixos e formar lucro. Excelente para decisões incrementais de curto prazo. Perigosa como métrica única, porque um portfólio inteiro de itens com margem de contribuição positiva pode não cobrir o overhead que sua complexidade gera.
Margem bruta
Receita menos o custo dos produtos vendidos, antes de qualquer custo de servir. É o indicador mais usado e o mais superestimado: dois clientes com a mesma margem bruta podem ter lucratividades reais opostas. Trate-a como ponto de partida, nunca como veredito.
Margem líquida por cliente
O lucro que sobra de um cliente depois de descontos, custo dos produtos, custo para servir e custo financeiro do prazo. É a métrica final da análise de rentabilidade de clientes. Calculada com direcionadores reais, costuma redistribuir dramaticamente o ranking de "melhores clientes" da empresa.
Cascata de margem
Representação degrau a degrau do caminho entre o preço de tabela e a margem líquida: descontos, bonificações, impostos, custo do produto, frete, custo de servir, custo financeiro. Torna visível onde a margem evapora e quem autorizou cada degrau. É uma das visões mais acionáveis de um modelo de rentabilidade.
Custo para servir (cost to serve)
O custo total de atender um cliente ou canal: processamento de pedidos, armazenagem, entrega, devoluções, visitas, cobrança, suporte. Varia enormemente entre clientes de mesmo faturamento e é invisível nos relatórios tradicionais. É a peça que falta entre a margem bruta e a verdade.
Curva da baleia (whale curve)
Gráfico do lucro acumulado por cliente, ordenado do mais lucrativo ao mais deficitário: sobe até um pico, percorre um platô e desce na cauda. O padrão típico documentado na literatura: uma minoria de clientes gera o equivalente a mais de 100 por cento do lucro, e a cauda destrói o excedente. É o retrato de uma empresa com subsídios cruzados.
Subsídio cruzado
Situação em que clientes ou produtos lucrativos financiam, sem que ninguém veja, os deficitários, porque a média e o rateio escondem as diferenças. É o estado natural de qualquer empresa que nunca mediu rentabilidade com direcionadores causais. Eliminá-lo (por preço, pedido mínimo, canal ou corte) é onde a análise de custos vira dinheiro.
Rentabilidade por cliente, produto e canal
A prática de calcular margem líquida em cada uma dessas dimensões, em vez de somente no total da empresa. Responde às perguntas que a demonstração de resultados não responde: quais clientes merecem investimento, quais produtos merecem o portfólio, quais canais merecem crescer. É o produto final de um modelo TDABC bem construído.