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Método UEP: a Unidade de Esforço de Produção, explicada

O método UEP (unidade de esforço de produção) mede a saída de uma fábrica multiproduto em uma única unidade abstrata de esforço de produção, de modo que produtos heterogêneos se tornam comparáveis como se a planta fabricasse uma coisa só. Cada posto operativo recebe um índice de custo horário, um produto-base fixa o valor de uma UEP, e cada produto passa a ser expresso como um número de UEPs. Derivado do método GP do engenheiro francês Georges Perrin e desenvolvido no Brasil por Franz Allora e pelas escolas de engenharia de produção da UFSC e da UFRGS, o método é forte para unificar a produção e medir produtividade e capacidade.

Em resumo

O método UEP (unidade de esforço de produção) mede a produção de uma fábrica multiproduto em uma única unidade abstrata de esforço. Cada posto operativo recebe um índice de custo horário, um produto-base fixa o valor de uma UEP, e cada produto é expresso em número de UEPs. Custeia apenas a transformação, deixando de fora matérias-primas e overhead estrutural. É simples de operar depois de construído e dispõe de um motor como o CostCtrl para conectá-lo à rentabilidade de clientes.

A origem

De onde veio: França, depois Brasil

A raiz intelectual é o método GP (méthode GP, de Georges Perrin), criado pelo engenheiro francês Georges Perrin (1891 a 1958), formado pela École Centrale. Perrin concebeu a abordagem no fim dos anos 1930, pô-la em funcionamento em meados dos anos 1940 e a promoveu ao longo dos anos 1950. Após sua morte em 1958, sua viúva, Suzanne Perrin, conduziu a consultoria que levava seu nome e publicou seu livro, "Prix de revient et contrôle de gestion par la méthode GP" (Dunod), no início dos anos 1960. A intuição central de Perrin foi a ideia de uma unidade estável e não monetária de "esforço": o esforço relativo que diferentes operações exigem de uma fábrica permanece aproximadamente constante ao longo do tempo, mesmo quando os preços se movem, de modo que o esforço pode servir de unidade de medida. Na França, a linhagem depois evoluiu para o método UVA (unités de valeur ajoutée).

O capítulo brasileiro começa com Franz Allora, engenheiro italiano e seguidor de Perrin, que trouxe o método ao Brasil no início dos anos 1960, adaptou-o e renomeou sua unidade para UP e depois UEP. A partir de 1978, Allora o implantou em empresas nas regiões de Blumenau e Joinville, em Santa Catarina, por meio de sua consultoria. O que transformou uma técnica de consultoria em disciplina acadêmica foi o interesse das escolas brasileiras de engenharia de produção a partir de meados dos anos 1980. Antonio Cezar Bornia, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), escreveu em 1988 a dissertação de mestrado fundadora que analisava os princípios do método, e Francisco José Kliemann Neto, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o desenvolveu e ensinou também. Disseminada pelo Congresso Brasileiro de Custos e por um fluxo contínuo de teses e artigos, a UEP tornou-se, e segue sendo, parte padrão do currículo brasileiro de gestão de custos.

O método

Como funciona

A UEP custeia apenas a transformação de materiais em produto, o esforço de produção. Deixa deliberadamente de lado as matérias-primas e as despesas estruturais, tratando-as em separado. A construção tem cinco passos clássicos, seguindo Bornia.

  • 1. Dividir a fábrica em postos operativos. Um posto operativo é um conjunto de uma ou mais operações elementares homogêneas: todo produto que passa sofre o mesmo tipo de esforço, diferindo apenas em quanto tempo leva. Um posto operativo não é necessariamente uma máquina; é uma unidade de esforço homogêneo.
  • 2. Determinar o índice de custo horário de cada posto (foto-índice). É o custo por hora de operar aquele posto, em dinheiro, construído a partir de mão de obra, energia, manutenção, depreciação e demais custos de transformação que o posto consome. Crucialmente, exclui matérias-primas e overhead estrutural.
  • 3. Escolher um produto-base e fixar o valor de uma UEP (produto-base e foto-custo-base). Um produto de referência, que pode ser real, uma combinação ou um construto representativo, é rodado na planta no papel. Seu custo é obtido multiplicando seu tempo em cada posto pelo índice horário daquele posto e somando. Essa cifra passa a ser o valor de uma UEP. O produto-base amortece variações individuais e ancora todo o sistema.
  • 4. Calcular o potencial produtivo de cada posto. Dividir o índice horário de um posto pelo custo de referência expressa quanto esforço, em UEPs, aquele posto gera por hora de operação. Essas razões são o coração do método.
  • 5. Expressar cada produto em UEPs. Multiplicar o tempo de cada produto em cada posto pelo potencial produtivo daquele posto e somar ao longo do roteiro. O resultado é o valor do produto em UEPs, um único número que captura todo o esforço de transformação que ele exige.

Uma vez construído o modelo, rodá-lo a cada período é simples. Multiplique o valor em UEP de cada produto pela quantidade produzida e some, para obter a produção total em UEPs. Divida o custo de transformação real do período por esse total, para obter o valor monetário de uma UEP naquele período. Multiplique de volta para obter o custo de transformação de cada produto. As matérias-primas são então somadas por cima, à parte. Como os valores em UEP são em si independentes de dinheiro, eles permanecem estáveis enquanto o valor monetário por UEP flexiona com os custos reais a cada período.

O cálculo

Um exemplo prático

Para tornar a aritmética concreta, tome uma planta ilustrativa que chamaremos de CaP Manufacturing (as cifras são ilustrativas, usadas apenas para mostrar o método). Ela opera três postos operativos e fabrica vários produtos.

Posto operativoÍndice de custo horário (ilustrativo)
CorteR$ 60 por hora
MontagemR$ 90 por hora
AcabamentoR$ 45 por hora

Suponha que o produto-base leve 0,10 h no corte, 0,20 h na montagem e 0,10 h no acabamento. Seu custo de referência é (0,10 x 60) + (0,20 x 90) + (0,10 x 45) = 6 + 18 + 4,5 = R$ 28,50. Esses R$ 28,50 são agora o valor de uma UEP. O potencial produtivo de cada posto (UEPs por hora) é seu índice dividido por 28,50: corte 2,11; montagem 3,16; acabamento 1,58 UEPs por hora.

Agora tome o produto A, que precisa de 0,05 h de corte, 0,30 h de montagem e 0,20 h de acabamento. Seu valor em UEP é (0,05 x 2,11) + (0,30 x 3,16) + (0,20 x 1,58) = 0,105 + 0,948 + 0,316 = 1,37 UEPs. Se a planta produz 10.000 do produto A e outros produtos que somam, digamos, 50.000 UEPs de produção no período, e o custo de transformação real do período foi de R$ 1.400.000, então uma UEP vale 1.400.000 / 50.000 = R$ 28,00 neste período. O custo de transformação do produto A é 1,37 x 28,00 = R$ 38,36, ao qual se soma o custo de matéria-prima em separado. A mesma engrenagem entrega produção, produtividade e capacidade em uma única unidade comparável para cada produto que a planta faz.

Pontos fortes

Pontos fortes

O ponto forte de destaque é a unificação. Uma planta que fabrica dezenas de coisas diferentes de repente passa a ter uma medida honesta de quanto produziu, com que produtividade e quão perto rodou da capacidade. Isso torna a comparação entre períodos, o benchmarking entre linhas e a análise de mix simples de um jeito que as unidades físicas (toneladas, peças) nunca permitem quando os produtos são genuinamente diferentes.

Também é barata de operar depois de construída. Como os valores em UEP são estáveis e independentes de dinheiro, o modelo contínuo precisa apenas do custo total do período e das quantidades produzidas no período. Não requer os levantamentos contínuos de atividades que tornavam o ABC clássico tão caro. E rende medidas operacionais, eficiência, utilização de capacidade e produtividade, que engenheiros de produção, e não apenas contadores, sabem usar.

Limitações

Limitações

A limitação definidora é o escopo: a UEP custeia apenas a transformação. Ela não aloca matérias-primas, que trata em separado, e ignora as despesas estruturais e de overhead (despesas de estrutura), os custos de vender, de administrar e das partes do negócio que ficam fora do chão de fábrica. Para uma empresa em que esses custos são grandes, ou em que a real pergunta de rentabilidade é sobre clientes e canais em vez da fábrica, a UEP responde apenas parte da questão.

Sua segunda fraqueza é a premissa em que se apóia: a de que as relações de esforço entre postos permanecem constantes. Esse é o próprio princípio fundador do método, e vale bem em uma planta estável. Mas uma mudança significativa de processo ou de tecnologia pode deslocar essas relações, e o modelo então precisa ser reconstruído. A UEP também se encaixa mal em serviços e no comércio, onde não há esforço de produção homogêneo a medir, e pode ter dificuldade para lidar de forma limpa com perdas e desperdícios. Construir o modelo pela primeira vez é trabalhoso.

O encaixe

Onde se aplica

A UEP conquista seu lugar na manufatura multiproduto, onde operações compartilhadas produzem muitos itens diferentes e a gestão precisa de uma medida única e estável de produção e produtividade. A literatura brasileira documenta aplicações em têxteis, calçados, alimentos (massas, biscoitos, laticínios, avícolas), cerâmica, móveis, cosméticos e metalmecânica, tipicamente em pequenas e médias empresas industriais.

Não é um método para empresas de serviços, e raramente é a ferramenta certa quando a pergunta central é a rentabilidade de cliente ou de canal, que é o território do custo de servir (cost-to-serve) e do custeio baseado em atividades e tempo (TDABC).

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

O que significa UEP?
UEP significa unidade de esforço de produção. É a única unidade abstrata em que o método mede toda a produção de uma fábrica, de modo que produtos fisicamente muito diferentes se tornem comparáveis.
Quem inventou o método UEP?
O método GP subjacente foi criado pelo engenheiro francês Georges Perrin nos anos 1940. Foi trazido ao Brasil e desenvolvido no método UEP pelo engenheiro italiano Franz Allora a partir do início dos anos 1960, e depois estudado e formalizado por acadêmicos brasileiros, notadamente Antonio Cezar Bornia na UFSC e Francisco José Kliemann Neto na UFRGS, a partir de meados dos anos 1980.
Como a UEP difere do ABC?
A UEP mede o esforço de produção e custeia apenas a transformação de materiais em produto, usando uma única unidade de esforço. O custeio baseado em atividades (ABC) rastreia todo o overhead, incluindo custos de apoio e estruturais, até as atividades e depois até produtos e clientes. A UEP é mais simples e mais forte para a produtividade de chão de fábrica em plantas multiproduto; o ABC é mais amplo e melhor para rentabilidade de cliente e canal. Veja a comparação completa em UEP vs ABC.
A UEP inclui matérias-primas?
Não. A UEP deliberadamente custeia apenas o esforço de transformação. As matérias-primas são somadas em separado por cima do custo de transformação baseado em UEP, e as despesas estruturais ou de overhead ficam totalmente fora do cálculo da UEP. Essa é a principal limitação do método como sistema de custeio completo.
O método UEP ainda é usado?
Sim, particularmente no Brasil, onde é ensinado em cursos de engenharia de produção e de contabilidade e aplicado na manufatura multiproduto, sobretudo em pequenas e médias empresas. É bem menos comum fora do Brasil, embora seu ancestral francês sobreviva lá como o método UVA.
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