Ir para o conteúdo
Brasil

RevPAR: o que ele mede e o que ele esconde

O RevPAR (revenue per available room) é a receita de hospedagem dividida pelo número de quartos disponíveis no período. É o indicador de cabeceira da hotelaria brasileira porque junta ocupação e diária média em um único número. Mas ele mede só a receita: não diz nada sobre o que custou encher cada quarto. Um hotel pode subir o RevPAR e ver a margem de lucro cair no mesmo mês, e é exatamente esse caso que esta página demonstra com números.

Em resumo

O RevPAR responde "quanto rendeu cada quarto que eu tinha para vender?" e se calcula de duas formas equivalentes: receita de hospedagem ÷ quartos disponíveis, ou ocupação × diária média. É a métrica certa para arbitrar entre encher a casa e segurar a tarifa. O que ela não vê é o lado do custo: comissão de canal, custo de rotação de quarto, custo de servir cada segmento e custo da capacidade vazia. Para saber onde o hotel ganha e perde dinheiro, o RevPAR precisa do par que falta, o custo por quarto vendido, que é território do custo para servir em hotelaria e do TDABC.

A definição

O que é o RevPAR e como se calcula

RevPAR é a sigla de revenue per available room, receita por quarto disponível. A conta tem duas portas de entrada, e as duas chegam ao mesmo número.

Pela receita: RevPAR = receita de hospedagem ÷ quartos disponíveis no período. Um hotel de 120 quartos em um mês de 30 dias tem 3.600 pernoites disponíveis; se a receita de hospedagem foi de R$ 1.028.160, o RevPAR é de R$ 285,60.

Pela ocupação: RevPAR = taxa de ocupação × diária média (ADR). O mesmo hotel com 68% de ocupação e diária média de R$ 420 chega aos mesmos R$ 285,60.

A segunda forma explica por que a métrica virou padrão: ela obriga ocupação e preço a prestar contas juntos. Lotar o hotel derrubando a diária não sobe o RevPAR; defender a diária com a casa vazia também não. Nesse papel de árbitro entre volume e preço, o RevPAR funciona bem e deve continuar no painel.

Só a receita de hospedagem entra na conta. Alimentos e bebidas, eventos, spa e estacionamento ficam de fora, o que já é um primeiro aviso: o RevPAR não é uma medida do negócio inteiro, é uma medida da linha de cima do apartamento.

O ponto cego

Por que o RevPAR sobe e a margem de lucro desce

A margem de lucro de um hotel não é decidida pela receita média, é decidida pelo custo de servir cada hóspede. E três custos que variam muito de hóspede para hóspede não aparecem no RevPAR.

O canal. O hóspede da reserva direta e o hóspede que chegou por uma OTA com 18% de comissão pagam a mesma diária e contam igual para o RevPAR. Para a margem, são hóspedes diferentes: um deixa a diária inteira, o outro deixa a diária menos a comissão.

O segmento. Um grupo corporativo que exige faturamento à parte, alterações de última hora e meia recepção dedicada custa mais para servir do que o viajante individual que faz check-in e some. O RevPAR trata os dois por igual.

A duração da estadia. Cada troca de hóspede dispara uma rotação: limpeza de saída pela governança, lavanderia, check-in e check-out. Duas estadias de duas noites custam mais do que uma de quatro, com a mesma receita de hospedagem. O RevPAR não separa uma coisa da outra.

Junte os três e o resultado é o cenário clássico: uma campanha agressiva de OTA sobe a ocupação, o RevPAR aparece maior no relatório, e a margem de lucro do hotel encolhe porque o mix ficou mais caro de servir. A tabela abaixo faz essa conta.

O exemplo

O mesmo hotel, dois meses, números na mesa

Hotel de 120 quartos, 3.600 pernoites disponíveis por mês, números ilustrativos. No mês B, uma campanha nas OTAs sobe a ocupação de 68% para 78%, ao preço de uma diária um pouco menor, de mais peso do canal com comissão e de estadias mais curtas.

Mês AMês B (campanha OTA)
Ocupação68% (2.448 pernoites)78% (2.808 pernoites)
Diária médiaR$ 420R$ 396
Receita de hospedagemR$ 1.028.160R$ 1.111.968
RevPARR$ 285,60R$ 308,88 (+8,1%)
Peso do canal OTA (comissão de 18%)40% dos pernoites65% dos pernoites
Comissões pagasR$ 74.028R$ 130.100
Estadia média2,4 noites (1.020 rotações)1,8 noite (1.560 rotações)
Custo de rotação (R$ 95 por saída)R$ 96.900R$ 148.200
Custo por pernoite ocupado (R$ 40)R$ 97.920R$ 112.320
Contribuição da hospedagemR$ 759.312 (73,9%)R$ 721.348 (64,9%)

O RevPAR subiu 8,1% e a contribuição da hospedagem caiu R$ 37.964, nove pontos de margem. Nenhum desses custos é exótico: comissão, rotação e governança existem em qualquer hotel do Brasil. Eles só não existem dentro do RevPAR.

E falta ainda um bloco: o custo da capacidade. Um quarto vazio continua custando dinheiro em equipe, energia e manutenção, venda ou não venda. Esse custo fixo por quarto disponível é o tema da página de ocupação e capacidade em hotelaria e do custo da capacidade ociosa.

O par que falta

Do RevPAR ao custo por quarto, e à margem por canal

A resposta não é abandonar o RevPAR, é dar a ele um par do lado do custo. Se a receita por quarto disponível merece uma sigla, o custo por quarto disponível também merece: os custos operacionais da hospedagem divididos pelos mesmos pernoites disponíveis. No mês B do exemplo, só os custos variáveis (comissões, rotações e limpeza) somam R$ 390.620, ou R$ 108,51 por pernoite disponível. O RevPAR de R$ 308,88 só ganha significado ao lado desse número.

O passo seguinte é abrir esse custo por canal, por segmento e por tipo de estadia, e é aí que entra o custeio por atividades e tempo. Com o TDABC, cada atividade do hotel (rotação de quarto, check-in, atendimento a grupos, gestão de canais) recebe um tempo e uma taxa de custo da capacidade, e cada estadia carrega o custo das atividades que de fato consumiu. O resultado é o RevPAR aberto por baixo: margem por canal, por segmento e por duração de estadia, com a capacidade ociosa em uma linha própria em vez de diluída na diária.

É esse o modelo que construímos com hotéis e grupos de turismo: um modelo operacional de custo e rentabilidade, montado sobre os dados financeiros existentes, em seis a dez semanas, mantido depois atualizado mês a mês na plataforma CostCtrl. O panorama do setor está em rentabilidade em hotelaria e turismo.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

O que é RevPAR?
RevPAR é a receita por quarto disponível: a receita de hospedagem de um período dividida pelo número de pernoites que o hotel tinha para vender nesse período. É o indicador que combina ocupação e diária média em um único número de desempenho de receita.
Como se calcula o RevPAR?
De duas formas equivalentes: receita de hospedagem dividida pelos quartos disponíveis, ou taxa de ocupação multiplicada pela diária média. Um hotel com 68% de ocupação e diária média de R$ 420 tem RevPAR de R$ 285,60.
Qual a diferença entre RevPAR, diária média e ocupação?
A ocupação mede quantos quartos foram vendidos; a diária média mede a que preço; o RevPAR é o produto dos dois e mede quanto rendeu cada quarto disponível. A métrica existe justamente para impedir que se otimize um dos lados destruindo o outro.
RevPAR alto significa hotel lucrativo?
Não necessariamente. O RevPAR mede receita e ignora comissão de canal, custo de rotação, custo de servir cada segmento e custo da capacidade vazia. Um mix carregado de OTA e estadias curtas pode subir o RevPAR e derrubar a margem, como mostra o exemplo desta página.
Qual é a margem de lucro de um hotel?
Não existe um número único honesto: a margem varia com o mix de canais, os segmentos servidos e a duração média das estadias, e dois hotéis com o mesmo RevPAR podem ter margens muito diferentes. A pergunta que se responde com um modelo de custo é outra, e mais útil: qual é a margem deste hotel, por canal e por segmento, e o que a move.
O que o RevPAR não mede?
Todo o lado do custo: comissões de intermediação, custo de rotação e governança, custo de servir grupos e eventos, custo da capacidade ociosa. E também as receitas fora da hospedagem, como alimentos e bebidas. Variantes como o GOPPAR já descontam custos, mas continuam sendo médias da casa inteira: dizem que a margem mudou, não dizem onde.
Leia também

Leia também

Gerencia um hotel ou um grupo de turismo e quer ver a margem por canal e segmento, não só o RevPAR? Comece pelo Profit Check gratuito: são 14 perguntas, leva 10 minutos e aponta onde a margem é criada e onde é perdida.

Prova

Um distribuidor na Nova Zelândia. €1,335M de custo de servir tornado visível, depois reduzido à metade, e 830 clientes deficitários reduzidos a 295.

Ler o estudo de caso →

Com quem você vai falar

Miguel Guimarães, Sócio-fundador

Trabalhando com custos e lucro há mais de 25 anos. Apresentou o caso de cost-to-serve da Damco no Managing for Profit (Amsterdã RAI, dezembro de 2009), no mesmo programa que Robert S. Kaplan.

Ligue +351 910 313 731

WorkshopsWORKSHOPFalar sobre uma turma in-company

Miguel Guimarães

Revisto por

Miguel Guimarães

Sócio-fundador, Cost and Profitability Consulting

Mais de 150 projetos de Time-Driven ABC em 11 setores desde 2010, dentro do enquadramento de Kaplan e Anderson.

Sobre o autor →

Publicado

M
Pergunte-nos o que quiser
costuma responder em minutos
Olá. Respondo aqui mesmo às perguntas rápidas sobre custo, método e prazos. Para algo específico do seu negócio, passo-o a um especialista no WhatsApp.
Grátis. Sem voltas de robô. Direto a um especialista.
Mais lidos
  1. 1A Curva da Baleia: onde ganha e perde lucro
  2. 2O Custo da Capacidade Ociosa
  3. 3Custeio por Ordem vs Custeio por Processo
  4. 4Workshops e treinamentos TDABC - sessões públicas ou in-company
  5. 5Método UEP: a Unidade de Esforço de Produção, explicada
  6. 6Alternativa ao Acorn
  7. 7Custo para servir no varejo | Loja e canal
  8. 8O Índice Custo de Servir: Pesquisa de Referência 2026
  9. 9Rentabilidade para Private Equity
  10. 10Custo para Servir: o custo escondido de cada cliente