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Brasil

Rateio de custos indiretos: o método certo

Quase toda empresa rateia custos indiretos por volume, faturamento ou horas. É simples e é errado. O rateio tradicional empurra custo para quem mais produz, mesmo quando não é quem mais consome recursos. O resultado são produtos e clientes com lucro fantasma. O TDABC corrige isso ao ratear pelo tempo e pelos recursos realmente usados.

Em resumo

Rateio de custos indiretos é a forma de distribuir custos que não pertencem diretamente a um produto ou cliente, como administração, logística e estrutura. O rateio tradicional por volume ou faturamento distorce porque assume que quem mais vende mais consome. O TDABC rateia pelo tempo e pelos recursos que cada atividade realmente exige, gerando um custo justo.

Por que o rateio tradicional distorce

Por que o rateio tradicional distorce

O rateio por volume nasceu numa época em que mão de obra direta dominava o custo. Hoje, a maior parte do custo é indireta: TI, logística, atendimento, qualidade, back-office. Distribuir tudo isso por volume produzido cria um erro grande.

Imagine dois produtos com o mesmo volume. Um é simples, padronizado, vendido em lotes grandes. O outro é customizado, exige troca de máquina, atenção da engenharia e atendimento especial. Pelo rateio por volume, os dois recebem o mesmo custo indireto. Na realidade, o segundo consome muito mais recursos. O resultado é que o produto simples subsidia o complexo, e ninguém percebe.

Como o TDABC rateia pelo recurso real
Under a single overhead rate the high-volume product pays more than it consumes and the low-volume product pays less. The allocated bars differ from the true consumption bars. Illustrative data. rateado por volume consumo real produto de alto volume paga a mais produto de baixo volume, complexo paga a menos o subsídio escondido o custeio por atividades devolve cada custo à sua causa ilustrativo
Uma taxa única faz os produtos simples subsidiarem os complexos.

Como o TDABC rateia pelo recurso real

O TDABC inverte a lógica. Em vez de perguntar quanto cada produto vendeu, pergunta quanto tempo e quais recursos cada atividade consome. O método define o custo por minuto de cada recurso e mede quantos minutos cada produto, cliente ou pedido exige.

Assim, o custo indireto segue o esforço real. Um pedido que aciona três setores e exige retrabalho carrega mais custo do que um pedido que entra e sai sem fricção. Esse é o princípio que o TDABC herda do ABC, criado por Robert Kaplan e Robin Cooper nos anos 1980, e que Kaplan e Steven Anderson simplificaram no TDABC em 2004 usando equações de tempo.

Exemplo prático em R$ (CaP ilustrativo)

Exemplo prático em R$ (CaP ilustrativo)

Na distribuidora ilustrativa CaP, os custos indiretos eram rateados por faturamento. Por esse critério, os clientes grandes pareciam carregar o maior peso de custo e ainda assim mostravam lucro confortável.

Ao trocar o rateio por faturamento pelo rateio por tempo e recurso (TDABC), o quadro mudou. Clientes pequenos, que faziam muitos pedidos fracionados e geravam muitas devoluções, passaram a carregar o custo indireto que realmente consumiam. Foi assim que apareceram os 2 em cada 10 clientes deficitários, antes escondidos pelo rateio por faturamento. A cauda que destruía cerca de R$ 16.208 só ficou visível quando o rateio passou a refletir o esforço real, e não o volume de venda.

O rateio certo não muda o custo total da empresa. Ele muda quem carrega cada parte do custo, e é essa mudança que revela onde está o lucro e onde está o prejuízo.

Por que o rateio pegou tão fundo no Brasil

Absorção obrigatória, herança do RKW e a diferença entre rateio e direcionador

Há uma razão histórica para o rateio ser tão dominante na prática brasileira, e conhecê-la ajuda a entender por que trocá-lo custa mais do que deveria. Para avaliação de estoques e apuração fiscal, o custeio por absorção é o método exigido: todo custo de produção precisa chegar ao produto. O sistema que a empresa monta para cumprir essa obrigação acaba virando, por inércia, o mesmo sistema que ela usa para decidir preço, mix e cliente, embora nunca tenha sido desenhado para isso.

A tradição de ensino reforça o hábito. A contabilidade de custos brasileira absorveu cedo o método alemão RKW, que vai além do custeio por absorção e distribui também despesas administrativas e comerciais até o produto. É dali que vem o reflexo de considerar que um custo só está completo quando absolutamente tudo foi rateado, inclusive aquilo que nenhuma decisão consegue mover.

Por isso a distinção entre duas palavras vale mais do que um capítulo inteiro de metodologia. Rateio é repartir um valor por um critério escolhido por conveniência: faturamento, volume, metro quadrado, número de funcionários. Direcionador é atribuir um custo pela relação de causa que o gerou. Rateio responde a “onde eu ponho isso?”; direcionador responde a “quem fez isso acontecer?”. O primeiro sempre fecha a conta. Só o segundo sustenta uma decisão.

Um último elemento explica por que tantas empresas de porte médio no Brasil chegam aos vinte anos de operação sem nunca terem construído um modelo de custos de verdade: o regime tributário. No Lucro Presumido, a base de IRPJ e CSLL é calculada sobre percentuais presumidos da receita bruta, e não sobre o lucro efetivamente apurado. O custo real deixa de ter consequência fiscal, e um sistema de custeio impreciso pode conviver anos sem produzir sintoma visível, até que a margem aperte e ninguém saiba dizer de onde ela está saindo.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

O que é rateio de custos indiretos?

É a distribuição de custos que não pertencem diretamente a um produto ou cliente (administração, logística, estrutura) entre os itens que os consomem. O objetivo é saber o custo real de cada produto, cliente ou serviço.

Por que o rateio por volume ou faturamento está errado?

Porque assume que quem mais vende mais consome recursos, o que raramente é verdade. Produtos complexos e clientes trabalhosos consomem muito mais do que seu volume sugere, e o rateio por volume não capta isso.

Como o TDABC faz o rateio dos custos indiretos?

Definindo o custo por minuto de cada recurso e medindo quanto tempo cada produto, cliente ou pedido consome. O custo indireto segue o tempo e os recursos realmente usados, não o volume vendido.

Quem criou esse método de custeio?

O ABC foi criado por Robert Kaplan e Robin Cooper nos anos 1980. O TDABC, que simplifica o rateio com equações de tempo, foi apresentado por Kaplan e Steven Anderson em 2004.

Prova

Um distribuidor na Nova Zelândia. €1,335M de custo de servir tornado visível, depois reduzido à metade, e 830 clientes deficitários reduzidos a 295.

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Com quem você vai falar

Miguel Guimarães, Sócio-fundador

Trabalhando com custos e lucro há mais de 25 anos. Apresentou o caso de cost-to-serve da Damco no Managing for Profit (Amsterdã RAI, dezembro de 2009), no mesmo programa que Robert S. Kaplan.

Ligue +351 910 313 731

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Miguel Guimarães

Revisto por

Miguel Guimarães

Sócio-fundador, Cost and Profitability Consulting

Mais de 150 projetos de Time-Driven ABC em 11 setores desde 2010, dentro do enquadramento de Kaplan e Anderson.

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