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Brasil

Preço de quantidade mínima: como definir mínimos de pedido que cobrem o custo real

Uma quantidade mínima de pedido (minimum order quantity) protege a sua empresa de pedidos que custam mais para atender do que geram de receita. O segredo é definir esse mínimo a partir do custo real de servir, e não de um número redondo que alguém escolheu anos atrás. Feito assim, você deixa de subsidiar pedidos pequenos sem perder os clientes que valem a pena manter.

Em resumo

Preço de quantidade mínima é definir um pedido mínimo (por unidades, valor ou peso) ou uma taxa que garanta que cada pedido cubra o custo real de atendê-lo. Um número redondo ignora a margem: bloqueia pedidos bons e deixa passar pedidos ruins. Ancorado no custo para servir, o mínimo passa a ser o menor pedido que se paga a si mesmo.

Por que pedidos pequenos destroem margem

Por que pedidos pequenos destroem margem

Todo pedido carrega um custo fixo para servir: a separação, a conferência, a embalagem e a expedição que ele dispara, independentemente do tamanho. Um pedido grande dilui esse custo por muitas unidades. Um pedido pequeno concentra o mesmo custo fixo em pouca receita, e é aí que a margem desaparece.

O problema é que esse custo fica invisível na contabilidade tradicional. Você vê o faturamento do pedido e a margem bruta do produto, mas não vê quanto tempo de equipe e de estrutura aquele pedido consumiu. Muitos pedidos pequenos e frequentes parecem inofensivos um a um, mas somados corroem o resultado sem que ninguém perceba.

Por que o mínimo redondo falha

Por que o mínimo redondo falha

A maioria dos mínimos é um palpite que virou regra. Meia caixa, um pallet, um valor qualquer, escolhido porque parecia razoável e nunca revisado. O problema é que um limite fixo ignora a margem. Um pedido de valor baixo de um produto de margem alta pode ser muito lucrativo; o mesmo valor em um produto de margem apertada ainda pode dar prejuízo depois de contar manuseio e entrega.

Um único número redondo trata os dois casos como iguais. Ele bloqueia pedidos bons e libera pedidos ruins. Por isso o mínimo precisa estar ancorado no custo, e não em uma cifra arredondada. E como a margem varia por produto, a versão honesta é um pequeno conjunto de limites por categoria, não um valor único para tudo.

Como o custo para servir muda a decisão

Como o custo para servir muda a decisão

Quando você mede o custo real de atender cada pedido, a pergunta deixa de ser "qual o menor pedido que eu aceito?" e passa a ser "qual o menor pedido que se paga a si mesmo?". Essa é a diferença entre um mínimo arbitrário e um mínimo baseado em dados.

A forma mais estruturada de medir esse custo é o custeio TDABC (Time-Driven Activity-Based Costing). Em vez de ratear despesas por percentuais arbitrários, o TDABC mede quanto tempo cada atividade consome (receber, separar, embalar, expedir) e quanto custa um minuto de capacidade. Assim, cada pedido recebe um custo realista conforme o tempo que realmente exige, e você enxerga o ponto de equilíbrio de cada tipo de pedido.

Como definir o mínimo ou a taxa

Como definir o mínimo ou a taxa

O ponto de partida é o custo fixo que um pedido incorre não importa quão pequeno seja. O valor de equilíbrio é aquele em que a margem bruta do pedido finalmente cobre esse custo fixo para servir. Abaixo dele, o pedido destrói margem. Defina o mínimo nesse ponto de equilíbrio ou logo acima dele, e ofereça alternativas para quem fica abaixo. Uma abordagem em camadas costuma funcionar melhor do que uma regra única:

  • Acima do equilíbrio: nada muda. Os pedidos que já cobrem seu custo para servir seguem livres, e é aí que está a maior parte do seu volume.
  • Abaixo do equilíbrio: taxa de pedido pequeno ou incentivo à consolidação. Uma taxa modesta, ou um empurrão para juntar em pedidos maiores e menos frequentes, recupera o custo sem encerrar a relação.
  • Muito abaixo, sem margem: um mínimo firme. Para pedidos que não se pagam a nenhuma taxa razoável, um pedido mínimo obrigatório é a resposta certa, explicado com clareza ao cliente.
O efeito na rentabilidade do cliente

O efeito na rentabilidade do cliente

Definir um mínimo ou uma taxa não é punir clientes: é alinhar o preço ao custo real de servi-los. Alguns clientes vão cair abaixo da linha, e normalmente são justamente aqueles que você estava pagando para manter. Muitos pedidos pequenos vêm de clientes valiosos em outros aspectos, que simplesmente podem comprar com menos frequência e em quantidades maiores.

Ao encerrar o subsídio aos pedidos que dão prejuízo, você melhora a rentabilidade sem perder os clientes que importam. É esse o tipo de ajuste que tira da cauda da curva da baleia os pedidos que estavam corroendo o lucro do resto da carteira.

Exemplo ilustrativo

Exemplo ilustrativo

Exemplo ilustrativo. Na distribuidora fictícia CaP, cada pedido carrega um custo fixo de separação, embalagem e expedição em torno de R$ 45, independentemente do tamanho. Um pedido de R$ 200 de um produto com 30 por cento de margem bruta gera cerca de R$ 60 de margem: cobre o custo fixo e sobra lucro. Já um pedido de R$ 120 do mesmo produto gera cerca de R$ 36 de margem, abaixo do custo fixo de R$ 45, e portanto dá prejuízo.

O valor de equilíbrio, nesse caso, fica em torno de R$ 150. Em vez de um mínimo redondo de R$ 500 que afastaria clientes bons, a CaP define o mínimo perto do equilíbrio e cobra uma taxa modesta de pedido pequeno abaixo dele. O resultado ilustrativo: os pedidos que davam prejuízo passam a cobrir o próprio custo, sem perder os clientes que compravam pouco mas eram valiosos no total.

Como avançar

Como avançar

O caminho é direto: identifique o custo fixo que cada pedido dispara, calcule o valor de equilíbrio por categoria de produto e defina o mínimo ou a taxa nesse ponto. Comece por um levantamento simples do custo para servir, usando os dados de pedidos e entregas que a empresa já tem no ERP e nos dados financeiros e operacionais. Depois, teste a política em camadas antes de aplicá-la a toda a carteira.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

O que é quantidade mínima de pedido?

É o menor pedido que um fornecedor aceita, definido por unidades, valor ou peso. Seu objetivo é proteger contra pedidos que custam mais para receber, separar, embalar e expedir do que geram de receita. Bem definida, elimina micropedidos que dão prejuízo; definida como número redondo, afasta clientes bons ou não cobre o custo que deveria.

Como definir o valor mínimo de pedido certo?

Parta do custo real de servir um pedido: o custo fixo de manuseio, separação, embalagem e expedição que ele incorre independentemente do tamanho. O valor de equilíbrio é o ponto em que a margem bruta do pedido finalmente cobre esse custo fixo. Defina o mínimo nesse ponto ou logo acima, e ofereça alternativas como uma taxa de pedido pequeno ou entrega consolidada para quem fica abaixo.

Um pedido mínimo vai me fazer perder clientes?

Alguns, e geralmente os que você estava pagando para manter. A pergunta honesta é quais clientes caem abaixo da linha e quanto valem no total. Muitos pedidos pequenos vêm de clientes valiosos que podem simplesmente comprar com menos frequência e em quantidades maiores. Uma abordagem em camadas, livre acima de um limite e com taxa abaixo dele, preserva essas relações e encerra o subsídio.

Mínimo por quantidade ou por valor, qual é melhor?

O mínimo por valor costuma ser melhor, porque o custo para servir acompanha mais o manuseio do pedido do que o número de unidades nele. Um limite por valor também se ajusta naturalmente a uma linha de produtos variada. O mínimo por quantidade faz sentido quando um produto domina e o manuseio cresce com as unidades, e não com o pedido em si.

Prova

Um distribuidor na Nova Zelândia. €1,335M de custo de servir tornado visível, depois reduzido à metade, e 830 clientes deficitários reduzidos a 295.

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Com quem você vai falar

Miguel Guimarães, Sócio-fundador

Trabalhando com custos e lucro há mais de 25 anos. Apresentou o caso de cost-to-serve da Damco no Managing for Profit (Amsterdã RAI, dezembro de 2009), no mesmo programa que Robert S. Kaplan.

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Miguel Guimarães

Revisto por

Miguel Guimarães

Sócio-fundador, Cost and Profitability Consulting

Mais de 150 projetos de Time-Driven ABC em 11 setores desde 2010, dentro do enquadramento de Kaplan e Anderson.

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