Custeio-alvo vs custeio-padrão
O custeio-alvo e o custeio-padrão diferem em quando atuam e em quem define o número. O custeio-alvo (em japonês genka kikaku) atua antes da produção e deixa o mercado definir o custo; o custeio-padrão fixa padrões predeterminados a partir da engenharia interna e reporta variâncias durante e depois da produção. São complementares ao longo do ciclo de vida.
Os dois diferem em quando agem e quem fixa o número. O custeio-alvo, pioneiro na Toyota desde o fim dos anos 1950, atua antes da produção: o mercado fixa o preço, a empresa subtrai o lucro, e o custo admissível (custo-alvo = preço-alvo − lucro-alvo) vira restrição de projeto. O custeio-padrão, com raízes na administração científica, fixa padrões internos e reporta variâncias, e sustenta o custeio por absorção exigido pelas IFRS (IAS 2) e pelo US GAAP. Use o custeio-alvo no desenvolvimento; use o custeio-padrão para controle contínuo e valoração legal de estoques.
A diferença central
A maneira mais limpa de ver a diferença é perguntar quando cada método atua e quem define o custo.
Custeio-alvo. Atua antes da produção, no projeto, e deixa o mercado definir o custo. Inverte a velha lógica de custo mais margem. Em vez de construir um produto, somar seu custo e acrescentar uma margem, a empresa parte do preço que o mercado suportará, subtrai o lucro de que precisa e trata o que sobra como o custo que está autorizada a incorrer. Esse valor admissível vira uma restrição rígida de projeto. A engenharia de valor então ataca o produto na fase de projeto, porque é aí que cerca de 80 a 90 por cento do custo de um produto fica travado. É proativo, prospectivo e orientado pelo mercado, e o custeio kaizen é seu complemento na fase de produção.
Custeio-padrão. Atua durante e depois da produção, e deixa a engenharia interna definir o padrão. Estabelece um custo predeterminado para materiais, mão de obra e custos indiretos, depois compara os resultados reais contra ele e explica as diferenças por análise de variância: variâncias de preço, eficiência e volume. É reativo por natureza, feito para controle e valoração e não para projetar o custo para fora, e os padrões vêm de dentro da empresa, não do mercado.
Comparativo
| Dimensão | Custeio-alvo | Custeio-padrão |
|---|---|---|
| Origem | Japão do pós-guerra, pioneiro na Toyota desde o fim dos anos 1950/1960 | Administração científica (Taylor); G. Charter Harrison ~1911 |
| Quando atua | Antes da produção, na fase de projeto | Durante e depois da produção |
| Quem define o custo | O mercado (de cima para baixo) | Engenharia interna (padrões predeterminados) |
| Lógica central | Custo-alvo = preço-alvo − lucro-alvo | Real vs padrão, explicado por variâncias |
| Direção | Proativo, prospectivo, orientado pelo mercado | Reativo, controle e valoração, definido internamente |
| Alavanca principal | Engenharia de valor no projeto, onde ~80 a 90% do custo trava | Análise de variância (preço, eficiência, volume) |
| Papel legal | Não é um método de valoração | Sustenta o custeio por absorção sob IFRS (IAS 2) e US GAAP |
| Melhor uso | Desenvolvimento de produto, sobretudo manufatura de montagem | Controle contínuo de custo e valoração de estoques |
São duas lentes sobre o mesmo custo.
Um contraste trabalhado
Tome um produto ilustrativo na CaP Manufacturing (valores ilustrativos). O custeio-alvo começa pelo mercado. A pesquisa diz que o produto precisa ser vendido a R$ 200 para vencer seu segmento. A CaP precisa de R$ 50 de lucro por unidade para justificar o investimento, portanto o custo-alvo é R$ 150. O projeto atual, porém, custaria R$ 175 para fabricar. O custeio-alvo transforma essa lacuna de R$ 25 em um briefing de projeto: a equipe multifuncional usa engenharia de valor para reprojetar componentes, simplificar a montagem e renegociar insumos até que o projeto possa ser construído por R$ 150, tudo antes de a primeira unidade ser produzida.
O custeio-padrão entra depois. Uma vez que o produto está em produção, a CaP define um custo-padrão de R$ 150 e roda a linha contra ele. Quando o preço real do material vem mais alto que o planejado, o custeio-padrão reporta uma variância de preço de material desfavorável de R$ 5 contra o padrão, sinaliza-a à gerência e alimenta o padrão de R$ 150 na valoração de estoques para as contas legais. O custeio-alvo projetou os R$ 150; o custeio-padrão então o defende e mede cada desvio em relação a ele.
Quando escolher qual
Custeio-alvo. Recorra ao custeio-alvo durante o desenvolvimento de produto, e sobretudo na manufatura de montagem, como automotivo e eletrônica, onde um produto é construído a partir de muitos componentes e a maior parte do custo é comprometida no momento em que o projeto é congelado. Se você quer influenciar o custo, tem de agir antes da produção, e o custeio-alvo é a disciplina que faz isso.
Custeio-padrão. Recorra ao custeio-padrão para o controle contínuo de custo depois que um produto está em produção, e para a valoração legal de estoques, porque o custeio-padrão sustenta o custeio por absorção exigido pelas IFRS (IAS 2) e pelo US GAAP. É o cavalo de batalha do reporte e do controle rotineiro na manufatura anglo-saxõnica. Na prática, os dois são complementares, não concorrentes, porque ocupam pontos diferentes do ciclo de vida do produto. O custeio-alvo engenheira o custo para dentro durante o desenvolvimento; o custeio-padrão controla e valora durante a produção e o reporte. Um fabricante bem gerido usa os dois.
Perguntas frequentes
- Custeio-alvo é o mesmo que custeio-padrão com uma meta mais dura?
- Não. O custeio-padrão fixa um parâmetro interno e mede o real contra ele durante a produção. O custeio-alvo fixa o custo admissível a partir do preço de mercado antes da produção, e usa engenharia de valor para projetar o produto até esse valor. Um projeta o custo para fora no início; o outro mede a variância depois que a produção começou.
- Por que o custeio-alvo foca na fase de projeto?
- Porque cerca de 80 a 90 por cento do custo de um produto fica travado no projeto. Uma vez fixados componentes, materiais e montagem, a maior parte do custo está comprometida e difícil de mudar. O custeio-alvo age onde está a alavancagem, antes da produção, que é exatamente onde o custeio-padrão não opera.
- Qual método as IFRS exigem para estoques?
- Nenhum exige o custeio-alvo. A valoração legal de estoques sob as IFRS (IAS 2) e o US GAAP apoia-se no custeio por absorção, e o custeio-padrão o sustenta ao fornecer os custos de produção predeterminados usados para valorar o estoque. O custeio-alvo é uma disciplina de gestão para o desenvolvimento, não um método de valoração.
- Uma empresa pode usar custeio-alvo e custeio-padrão juntos?
- Sim, e os fabricantes bem geridos o fazem. Os dois ocupam estágios diferentes do ciclo de vida: custeio-alvo durante o desenvolvimento para engenheirar o custo para dentro, custeio-padrão durante a produção e o reporte para controlá-lo e valorá-lo. São complementares, e não alternativas.
- De onde veio cada método?
- O custeio-alvo (genka kikaku) foi pioneiro na Toyota no Japão do pós-guerra, a partir do fim dos anos 1950 e 1960, e foi depois documentado por Cooper e Slagmulder (1997), Monden (1995) e Sakurai (1989). O custeio-padrão tem raízes na administração científica, com G. Charter Harrison creditado por um sistema inicial por volta de 1911, e tornou-se dominante na manufatura anglo-saxõnica para controle e reporte.
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Miguel Guimarães, Sócio-fundador
Trabalhando com custos e lucro há mais de 25 anos. Apresentou o caso de cost-to-serve da Damco no Managing for Profit (Amsterdã RAI, dezembro de 2009), no mesmo programa que Robert S. Kaplan.
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